documentação
projecto agro n.º 10
Medida 8 - Desenvolvimento Tecnológico e Demonstração
Acção 8.1-Desenvolvimento Experimental e Demonstração (DE&D)
Gestão do azoto em ecossistemas agrícolas da zona vulnerável de Aveiro, com vista à redução da poluição das águas com nitratos
1- Chefe de Projecto
- Engenheira Agrónoma Maria Isabel Ferreira Magalhães Martins
2- Montante total do projecto
- 138 117,13 Euros
- Montante da DRABL - 46 737,36 Euros
3 - Instituições participantes
- Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (DRABL)
- Laboratório Químico Agrícola Rebelo da Silva (LQARS)
- Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC)
- Cooperativa Agrícola dos Lavradores do Concelho de Oliveira do Bairro (CALCOB)
4 - Descrição resumida do projecto
Este projecto incide sobre a Zona Vulnerável de Protecção ao Aquífero Quaternário de Aveiro, criada no âmbito da Directiva Comunitária 91/676/CEE - Nitratos de Origem Agrícola e tem como objectivo contribuir para a resolução deste importante problema que é constituído pela poluição das águas superficiais e subterrâneas com nitratos de origem agrícola.
Através da realização dum inquérito para a caracterização da Zona Vulnerável e identificação dos principais problemas, pretende-se criar instrumentos conducentes à tomada de decisões, com vista à resolução do problema por parte dos agricultores e das entidades oficiais envolvidas.
As actividades de experimentação e demonstração têm como objectivo levar a uma efectiva aplicação por parte dos agricultores das recomendações/obrigações do Código das Boas Práticas agrícolas e incidirão sobre os seguintes aspectos, considerados essenciais para uma adequada gestão do azoto nos ecossistemas agrícolas, tais como: as necessidades das culturas em azoto para determinados níveis de produção; o azoto disponibilizado pelo solo durante o ciclo vegetativo das culturas; o azoto fornecido ao solo pela água de rega e pelos fertilizantes orgânicos; o azoto proveniente dos resíduos das culturas; as perdas de azoto por lixiviação; interesse dos fertilizantes de libertação lenta; a aplicabilidade de alguns modelos sobre a absorção de azoto pelas culturas e as perdas de nitratos por lixiviação (DSSAT v3 e RZWQM).
Pretende-se instalar campos de demonstração e promover acções de divulgação, para a sensibilização dos agricultores sobre a problemática da poluição das águas com nitratos de origem agrícola com vista à recuperação da zona vulnerável.
5 - Alguns resultados dos ensaios e estudos realizados
O Projecto AGRO-DED 10 contempla a caracterização dos itinerários técnicos das principais actividades agrícolas da Zona Vulnerável de Aveiro, assim como a realização de ensaios de fertilização e estudos de rega. Em 2002 e 2003 foram instalados ensaios e campos de observação de fertilização com várias culturas hortícolas (alface, couves e batata) e milho forragem.
Apresentam-se alguns resultados dos ensaios e estudos desenvolvidos em 2002, com as culturas de alface e batata, no Campo Experimental de Oliveirinha - Aveiro.
Caracterização dos solos: litólicos de textura mediana à superfície e arenosa em profundidade, teores médios de matéria orgânica (3,4% na camada arável) e pH ácido (5,7).
Ensaio de fertilização em alface
Resposta da produção a diferentes quantidades de azoto aplicado:
Com a aplicação dum adubo nitroamoniacal, em que se fraccionou a adubação azotada (metade em fundo e metade em cobertura), a produção máxima de alface de 40,4 ton/ha obteve-se com a adubação de 160 kg de azoto/ha.
Com a aplicação de "Sulfamo", todo em adubação de fundo, a produção máxima de alface de 42,2 ton/ha obteve-se com uma adubação de 170 kg de azoto/ha.
Dado que acima de 130 kg de azoto por ha, os aumentos de produção já são muito reduzidos, não compensa aplicar mais que 130 a 140 kg de azoto/há.
Quantidade de azoto que ficou no solo, após a cultura da alface, com diferentes quantidades de azoto aplicado:
As quantidades máximas de azoto aplicado (220 kg de azoto/ha) deixaram no solo quantidades elevadas de azoto, podendo-se verificar, no gráfico ao lado, que as produções desceram com as maiores aplicações de azoto ( acima de 160 e 170).
Mesmo sem aplicações de azoto (N0), este fica sempre no terreno, pois não é absorvido,
na totalidade, pelas culturas. Para que este azoto residual não vá contaminar
as águas subterrâneas deve-se fazer uma cultura que, não sendo adubada, absorva
este excesso de azoto.
E0 - sem fertilização orgânica; E1 - com fertilização orgânica;
N2 - 140 kg/ha de azoto
Nitro - adubo nitro-amoniacal (aplicado 2/3 em fundo e 1/3 em cobertura)
Entec, NTop e Sul - fammo - adubos de libertação controlada (aplicados todos
só em adubação de fundo)
Resposta da produção a diferentes quantidades de azoto aplicado:
Com a aplicação dum adubo nitroamoniacal, em que se fraccionou a adubação azotada (2/3 em fundo e 1/3 em cobertura), a produção máxima de batata de 29,8 ton/ha obteve-se com a adubação de 140 kg de azoto/ha.
Com as aplicações de "NTop" e de "Sulfamo", todo em adubação de fundo, as produções máximas de batata atingiram 34,3 e 35 ton/ha, respectivamente, mas com aplicações muito mais elevadas de azoto (perto das quantidades máximas ensaiadas).
Na modalidade E0-N0 não houve aplicação de matéria orgânica, nem de azoto mineral.
Quantidade de azoto que ficou no solo, após a cultura da batata, com diferentes quantidades de azoto aplicado:
A dose máxima de azoto aplicado (210 kg/ha) provocou um aumento significativo de azoto que ficou no terreno após a realização da cultura.
Como se pode verificar, a quantidade de azoto que se encontrou, no final da cultura, na camada de 50 a a 75 cm de profundidade foi pequena, mas, por acção das águas da chuva, tenderá a aumentar à medida que o azoto for arrastado das camadas superiores.
Qual o momento mais oportuno para a fertilização azotada? Para a batateira, como é uma cultura de ciclo relativamente curto, uma cobertura, a realizar-se, terá que ser feita com doses moderadas e no início da formação dos tubérculos.
Para evitar a acumulação excessiva de nitratos no final da cultura, é necessário que a fertilização seja feita de forma racional, isto é, que seja feita nas quantidades e momentos mais oportunos. É, assim, fundamental, conhecer qual a produção que é possível em condições normais obter num dado campo ou parcela e que se designa por
produção esperada. É ainda necessário conhecer o ciclo vegetativo da planta de modo a determinar os momentos mais oportunos para a realização das adubações azotadas de cobertura.
Como determinar a produção esperada? A produção esperada deve ser estimada com bases realísticas, isto é, se na região e no terreno em questão se atingem produções de 12 t/ha de milho grão ou 35 t/ha de batata, a fertilização a efectuar deverá ser calculada para estes níveis de produção e não para valores mais elevados. Ao mandar proceder à análise de terra os laboratórios recomendam uma determinada quantidade de azoto para a produção esperada. No caso de dúvida consulte as Direcções Regionais de Agricultura.
6 - Local
Este projecto está instalado em dois campos experimentais:
Campo experimental com culturas forrageiras, situado em Póvoa do Valado, freguesia de N.
Sr.ª de Fátima, concelho de Aveiro.
Acesso: A partir da A1 - saída da auto-estrada "Aveiro-Sul", direcção de Aveiro - estrada nacional 235, depois da Igreja de N. Sr.ª de Fátima (edifício moderno em tijolo, próximo da estrada), cortar à esq. para Póvoa do Valado. O campo está instalado na propriedade do Sr. Fernando ferreira, actual presidente da Junta de Freguesia de N. Sr.ª de Fátima.
Campo experimental com culturas hortícolas, situado em Oliveirinha, freguesia de Oliveirinha, concelho de Aveiro.
Acesso: A partir da A1 - saída da auto-estrada "Aveiro-Sul", direcção de Aveiro - estrada nacional 235, direcção Oliveirinha, nesta localidade, o campo situa-se na R. Chão de Baixo, junto ao espaço onde se realiza a feira semanal.
7 - Contactos
Maria Isabel Ferreira Magalhães Martins
DRABL - Divisão de Protecção das Culturas
Centro Experimental do Loreto 3020-201 COIMBRA
Tel.: 239 497 860 Fax 239 497 869
E-mail: dpcult@drabl.gov.pt



























