documentação | olivicultura - a cultura da oliveira

Interesse da Cultura

Cultura familiar e milenária (pré-histórica), integrante da nossa paisagem e da nossa cultura, desde sempre apresentou diversos usos e fins - alimentação, medicina, iluminação, religião, etc. - a que nos habituamos e demonstra a sua importância.
Um bom azeite é um alimento magnífico para o coração e contribui para a melhoria das doenças circulatórias. Para se conseguir esse bom azeite é fundamental haver boa azeitona, pelo que se deve tratar convenientemente o olival. De boas azeitonas pode obter-se mau azeite, mas nunca se conseguem bons azeites de azeitonas em mau estado, quer seja devido à conservação ou à falta de tratamentos fitossanitários.
Se o olivicultor aumentar as produções actuais - cerca de 800 Kgs/azeitona/ha - para valores razoáveis (3 500 Kgs) e se ao rendimento obtido adicionar o subsídio à produção, o olival será das culturas mais rentáveis.

HÁ AJUDAS IMPORTANTES PARA A RENOVAÇÃO DOS OLIVAIS.

Solos

A oliveira vai bem em quase todos os tipos de solo, embora prefira os de textura moderadamente fina - francos, francolimosos, franco-argilosos e franco-argilo-limosos - ricos em calcário, com boa profundidade (cerca de 1 m) e bem drenados. Dá-se em solos moderadamente ácidos a ligeiramente alcalinos (pH 8,5).

Variedades

A variedade predominante no país é a Galega Vulgar que dá um azeite excelente; é pouco produtiva, alternante, com baixas fundas e sensível à mosca, cochonilha, traça, gafa e tuberculose. Hoje estão a plantar-se outras variedades, mais produtivas e com maior percentagem de azeite, como são os casos da Cobrançosa, Arbequina e Picual. Esta última é muito sensível ao "olho de pavão" e o azeite apresenta um sabor muito característico.
Entre as variedades para conserva salienta-se, para a região, a Negrinha do Freixo.

Fertilização

Como qualquer outra cultura, a oliveira necessita de uma alimentação equilibrada, sendo particularmente sensível à falta de azoto, potássio e cálcio. Sendo os solos desta zona do país, de uma maneira geral, pobres em fósforo, também este elemento tem que ser fornecido.
Entre os micro-elementos verificam-se, com certa frequência, carências de boro.
Se tivermos em atenção que tem de haver crescimentos anuais para haver produção, é absolutamente imprescindível que o olival seja adubado anualmente socorrendo-nos, para o efeito das análises de solo e/ou foliares, por forma a melhor se conhecerem as necessidades do solo.

Compassos

Os compassos a usar dependem da variedade, do solo, da possibilidade da cultura ser ou não regada e do destino a dar à azeitona - azeite ou conserva.
Para azeite devem ser plantadas entre 200 e 300 árvores/ha, devendo as linhas distarem 7 m entre si, para facilitar a colheita mecânica.
Para conserva podemos plantar mais de 300 árvores/ha.

Condução

Atendendo a que devido aos custos a colheita mecânica será imprescindível no futuro, deveremos ter em atenção a altura do tronco (0,8/1 m), local onde se fará a cruz com 2, 3 ou 4 pernadas principais.
Na formação e frutificação devemo-nos preocupar, no futuro, com a localização do fruto, por forma a facilitar a colheita. Também nos deverá merecer atenção o arejamento e a iluminação de toda a copa, para facilitar a polinização, o desenvolvimento dos frutos e dificultar o ataque e a disseminação de pragas e doenças.
Com o aparecimento do período de velhice das plantas, as produções diminuem, havendo então necessidade de fazer podas de renovação.
A poda mecânica começa também a praticar-se, ainda que em fase de experimentação no nosso país.

Irrigação

Absolutamente indispensável na azeitona para conserva para obtenção de bons calibres, também a destinada a azeite beneficia com a rega, dado que permite um aumento substancial da produção e influência os problemas da safra e contra-safra. Sendo a água necessária durante o cicio anual, há dois períodos críticos; o primeiro na fase de desenvolvimento do caroço - em primaveras secas endurece, não aumenta de tamanho e condiciona o desenvolvimento do fruto - e o segundo ocorre com o desenvolvimento da polpa; os frutos enrugam e o conteúdo em azeite pode diminuir consideravelmente.

Sanidade

Não é difícil manter a oliveira em bom estado sanitário, muito embora também não seja fácil indicar-se um calendário de tratamentos, porquanto os anos não decorrem sempre iguais, fazendo com que as pragas principais - mosca, traça, cochonilha e as doenças - gafa, olho de pavão e tuberculose - se antecipem, retardem ou até nem prejudiquem.
Correcto será o olivicultor inscrever-se no Sistema de Avisos, que lhe indicará quando e como fazer os tratamentos; para além a oliveira, obterá também conselhos sobre a maneira de tratar vinha, a macieira, os citrinos, a batata, etc.

Colheita

A colheita deverá ocorrer na fase de viragem - quando a eitona está a ficar roxa -, altura em que atinge o máximo de eite e este apresenta as melhores características e de forma a o destruir os crescimentos da oliveira, que nos garantem a produção do ano seguinte.
A azeitona deve ser limpa no olival para não transmitir defeitos azeite, ficando os resíduos a enriquecer o solo.

Senhor Olivicultor: Durante a colheita não corte e não pode as oliveiras. Quando o faz está a prejudicar as plantas e a prejudicar o seu rendimento. Pode também estar a contribuir para a morte das oliveiras devido ao frio.

Laboração

A azeitona deve ser laborada imediatamente a seguir à colheita; não se deve fazer tulha (máximo 48 horas); deverá ser transportada em caixas plásticas perfuradas para se manter íntegra.
A azeitona do chão deve ir à parte para o lagar e o azeite obtido, de pior qualidade, deverá constituir um lote diferente.

..........................................................................................................................

PAMAF: Concelhos prioritários na Beira Litoral

Para mais informações contacte:

DRABL – Divisão de Produção Agrícola
Quinta Nossa Senhora do Loreto
3020-202 COIMBRA
Telef. 239 497 860
Fax 239 497 869
E-mail: dpag@drabl.min-agricultura.pt

A edição em papel deste texto foi co-financiada pelo Fundo de Orientação e de Garantia Agrícola

Criado em: 2002-03-04 / Actualizado em: