documentação | nucicultura

Melhoria da Cultura da Nogueira nas Regiões Tradicionalmente Produtoras

A nogueira é presença frequente em vastas zonas da Região Agrária da Beira Litoral.
A feira de São Miguel em Penela e o preço da noz aí praticado marca o mercado deste fruto que enriquece os banquetes festivos do Outono e Inverno.

A exploração económica desta espécie baseia-se, na maioria dos casos, apenas na colheita dos frutos produzidos por árvores isoladas e muito antigas, nascidas de semente, sem protecção fitossanitária e sem rega.
A colheita é feita manualmente após varejamento, permanecendo por vezes as nozes vários dias no solo, antes de descasque manual e secagem ao sol.
Não sendo cuidada como uma cultura frutícola, não se obtém uma produção em volume e qualidade.

Solos

Antes de qualquer plantação devem ser conhecidas as características do solo, através do estudo do perfil cultural e das análises físico-químicas do solo, sendo conveniente solicitar apoio técnico para o efeito.
A nogueira necessita de solos profundos e beneficia com a sua homogeneidade ao longo do perfil. Os solos argilosos têm uma boa capacidade de retenção para a água e um forte potencial nutritivo enquanto que os solos de textura grosseira, como os arenosos, embora favoreçam o crescimento das raízes, estão sujeitos à lexiviação dos sais minerais e a importantes perdas hídricas.

O solo deve ser bem drenado, com teor de calcário activo inferior a 5% e pH entre 6,0 e 7,5.

Descascador de nozes Secador de nozes (capacidade de 650 kg)

Variedades a utilizar

A aquisição de plantas enxertadas nas variedades adequadas é factor determinante. A Lara é bem polinizada em plena floração pela Franquette e sobretudo pela Fernette e, no fim desta, pela Ronde de Montignac. A Fernor é bem polinizada pela Fernette no inicio da floração e pela Ronde de Montignac em plena floração.

Condução

O eixo vertical é a forma de condução mais adequada a estas variedades de frutificarão lateral e consiste na manutenção do eixo central intacto como estrutura definitiva da árvore. É a forma que mais se aproxima do porte natural da árvore.
A formação deve ser favorecido por uma poda adequada nos primeiros quatro ou cinco anos após os quais a realização das podas de limpeza, de renovação e de manutenção beneficia o desenvolvimento vegetativo e a produção.

Fertilização

É imprescindível conhecer o perfil cultural e a fertilidade do solo (análise do solo) à plantação, para implementar um plano de fertilização, sobretudo de Azoto, Fósforo, Potássio e Magnésio.
A forte proporção de calcário activo e o pH elevado bloqueiam a assimilação do Ferro presente no solo descorando as folhas e mantendo as nervuras verdes.
A análise foliar permite diagnosticar facilmente um risco de deficiência em Zinco. Acontece sobretudo nos solos alcalinos e ricos em matéria orgânica e em situações de excesso de fósforo.
O risco de má nutrição em Boro, em solos ligeiros sujeitos a lavagem ou em solos alcalinos que bloqueiam a sua assimilação, pode também ser controlado pela análise foliar.
Em certos solos de pH inferior a 6 as folhas evidenciam sintomas de toxicidade em Manganês que são revelados pela análise foliar.

Técnicas de irrigação

Embora a humidade excessiva no início da Primavera possa levar à asfixia e morte das raízes, muitos dos solos estão sujeitos a uma deficiência hídrica estival, sendo aconselhável restituir a reserva em água por irrigação.
Micro-aspersão: 2 micro-aspersores de 50 a 1 00 litros por hora, raio de 2 a 4 metros.
Gota-a-gota: gotejadores de 4 litros por hora dispostos de metro a metro ao longo de toda a linha.
A filtragem da água é necessária em ambos os sistemas, mas sobretudo no segundo. A automatização da rega, embora conveniente nos dois casos, é imprescindível na gota-a-gota.
A frequência da rega e o volume de água a fornecer são determinados com base nos dados climáticos e nas observações da evolução da reserva em água do solo.

Colheita mecânica

Protecção fitossanitária

Bacteriose: o período de máximo risco ocorre desde a abertura das folhas até ao fim da floração. As aplicações de cobre devem ser renovadas ao longo do desenvolvimento vegetativo e segundo as condições meteorológicas, evitando a plena floração.
Antracnose: o manebe e o mancozebe são as substâncias activas a usar para combater esta doença.
Bichado: as datas dos tratamentos podem ser determinadas utilizando armadilhas sexuais, podendo ser utilizados produtos ovicidas ou larvicidas.

Colheita e pós-colheita

Tecnicamente é possível a mecanização da colheita: a utilização de vibradores de tronco e máquinas colhedoras são muito comuns noutros países onde a dimensão da exploração ou a utilização em comum de equipamentos pelos agricultores o permite.
Alguns produtores portugueses utilizam, desde há alguns anos equipamentos de descasque e secagem.
Neste domínio é essencial a plantação de pomares bem dimensionados (> 2 ha) e a partilha de equipamentos de colheita e estruturas de secagem e processamento.

Vibrador de tronco

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Concelhos produtores na Beira Litoral:
Cantanhede, Coimbra, Condeixa, Soure, Penela, Pombal, Ansião e Alvaiázere.

Para mais informações:

DRABL – Divisão de Produção Agrícola
Centro Experimental do Baixo Mondego
Quinta Nossa Senhora do Loreto
3020-202 COIMBRA
Telef.: 239 497 860
Fax: 239 497 869
E-mail: dpag@drabl.min-agricultura.pt

A edição em papel deste texto foi co-financiada pelo Fundo de Orientação e de Garantia Agrícola

Criado em: 2002-03-05 / Actualizado em: