documentação

o girassol (Hellianthus annuus) para flor de corte

DPAgr - Centro de Experimentação de Horticultura da Gafanha
Maria de Lurdes Simão

As exigências dos Técnicos de Arte Floral e do consumidor requintado não se resumem às flores mais tradicionais e mais divulgadas; daí que o Floricultor deva apresentar novas espécies, como culturas alternativas, que o façam estar na vanguarda do conhecimento e da oferta.
O girassol como flor de corte, Hellianthus annuus, oferece-nos lindas tonalidades de flor, que tão bem harmonizam com outras espécies e com folhagens.
O girassol é originário do Oeste da América do norte, onde os nativos utilizavam as sementes na alimentação e com fins medicinais, extraindo o óleo e a tinta de algumas variedades (Heiser, 1974).
Foi introduzido na Europa pelos espanhóis, no séc. XVI; começou por ser utilizado como planta ornamental e só mais tarde com outros fins.
O Hellianthus annuus é uma planta herbácea e anual, dicotiledónea e pertence à família das Compostas.
A raiz do Hellianthus é aprumada, mas com fraco poder de penetração. Dependendo do estado hídrico do solo, surgem numerosas raízes laterais a partir da principal, que povoam facilmente as primeiras camadas de solo e depois se estendem em profundidade. Se o solo se mantiver num estado hídrico constante e adequado, formam-se raízes adventícias que exploram alguns nutrientes existentes na camada superior do solo, dando a ilusão de ser uma raiz fasciculada.
O caule é erecto e herbáceo, pubescente, de cor verde claro e exigente em elevado teor de potássio .
A folha é grande e rugosa, com nervuras salientes. As primeiras folhas são opostas e a partir do 3º ou 4º nó, são alternas.
A inflorescência é um capítulo, de flores sésseis, reunidas num receptaculo comum, rodeada por um invólucro de brácteas. Apresenta dois tipos de flores: liguladas e tubulosas. As flores liguladas são assexuadas e estéreis; as flores tubolosas são hermafroditas.
A fecundação é sobretudo cruzada ou entomófila. A descoberta de um gene de androesterilidade citoplásmica permitiu a criação de híbridos sem pólen, o que permite a sua utilização em Floricultura.
O heliotropismo (movimento de rotação acompanhando os raios solares), nas folhas e capítulos mais jovens, é devido à acumulação de auxinas na parte da planta oposta ao sol (Vrânceanu, 1977).

Exigências edafo-climáticas

A luz é o principal factor de acção directa na floração, uma vez que existem variedades de girassol de "dia longo" e de "dia curto".
As variedades de dia longo fazem a diferenciação floral quando o dia tem mais de 12 horas de luz - por isso se adaptam melhor aos cultivos de Verão.
As variedades de dia curto fazem a diferenciação floral quando a duração diária de horas luz é inferior a 12 - florescem mais rapidamente no Inverno e no início da Primavera, adaptando-se bem ao cultivo em estufa.
Existem, ainda, variedades indiferentes ou neutras, pelo que se podem cultivar em qualquer época do ano; no Verão, podem ser cultivadas ao ar livre e no Inverno devem ser cultivadas em estufa.
As variedades de Hellianthus para flor de corte exigem uma temperatura mínima do ar de 10º C durante a noite e uma temperatura máxima de 25º C durante o dia; a temperatura óptima é de 18ºC.
Se se fizer a sementeira directa, a temperatura do solo deve ser, no mínimo, 10º C para que se dê uma boa germinação. Se se fizer a germinação em tabuleiros, para posterior transplantação, a temperatura do viveiro não deve ser inferior a 10º C. Temperaturas inferiores retardam a germinação. No período de crescimento vegetativo, temperaturas inferiores a 8º C retardam o desenvolvimento.
O Hellianthus annuus pode ser cultivado em qualquer tipo de solo, embora prefira solos francos, ligeiramente ácidos e com boa drenagem.
Quando feito ao ar livre, o local de cultivo deve ser protegido do vento. De preferência, deve-se utilizar uma rede de tutoragem, que se vai subindo, acompanhando o desenvolvimento da planta.
Na fase da sementeira, quer seja directa quer em viveiro, é necessário prevenir-se o "apetite" dos pássaros e dos ratos.
É de interesse saber que 1000 sementes pesam 40 grs.
A germinação leva cerca de 10 dias.
Quando se faz a transplantação, esta ocorre cerca de 15 dias depois, quando as plântulas têm 2 pares de folhas definitivas.

Variedades utilizadas para flor de corte
Descrevem-se as características das variedades de Hellianthus que podem apresentar maior interesse como flor de corte.
Variedades uniflor - variedades de haste única, com uma flor terminal.

SUNRICH LEMON F1 - sem pólen flor com lígulas de cor amarelo limão e centro escuro. É uma variedade indiferente ao número de horas de luz. A duração do ciclo vegetativo é de 10 - 12 semanas no Verão e de 12 - 16 semanas no Inverno. A altura máxima da planta é de 120 cm no Verão e de 80 cm no Inverno. O diâmetro da flor oscila entre 10 e 25 cm. Boa variedade para cultivo em estufa, no Inverno.
Produz flores vistosas e de boa qualidade. Óptima variedade para cultivos em "flash".
SUNRICH ORANGE F1 - sem pólen, flor com lígulas amarelo dourado e centro escuro, é uma variedade indiferente ao número de horas de luz diárias. Apresenta todas as outras características referidas na variedade anterior.
FULL SUN - sem pólen, flor com lígulas grandes, de cor dourada a alaranjada mais perto do centro. A altura da planta pode ir aos 150 cm. É uma variedade indiferente.
MOONBRICHT F1 - sem pólen, flor com lígulas de cor amarelo limão e centro negro.
SUNBEAM F1 - sem pólen, flor com lígulas amarelo dourado e centro verde amarelado.
SUNBRICHT SUPREME F1 - sem pólen, flor com lígulas muito curtas amarelo dourado, centro negro. É uma variedade neutra.
Produz flores de excelente qualidade, com produção homogénea e escalonada. Se lhe for administrada uma fertilização exagerada, tem tendência a formar capítulos grandes.
EVERSUN GOLDEN YELLOW F1 - muito pouco ou nenhum pólen, flor com lígulas de cor amarelo dourado e centro negro e de grande diâmetro. Altura da planta varia entre 80 e 160 cm. Produz flores com diâmetro superior a 14 cm. É uma variedade de dia longo.

Variedades multiflor - variedades com flores mais pequenas e que ramificam desde a base. podem ser utilizadas para produção de flores do tipo "spray" ou em bouquet.

FLORISTAN - flor com lígulas de cor amarelo nas extremidades a vermelho junto ao centro. Ramifica desde a base. Planta com altura de 100 cm.
HOLIDAY - flor com lígulas douradas e centro escuro. Ramifica desde a base e tem uma altura de 120 cm.
IKARUS - flor com lígulas de cor amarelo limão e o centro escuro. A planta atinge 140 cm de altura. Ramifica desde a base, formando hastes com 50 a 80 cm e com diâmetro médio de 12 cm.
SORAYA - flor com lígulas de cor amarelo dourado com centro escuro. Altura da planta é de cerca de 140 cm Ramifica desde a base, formando hastes com cerca de 60 cm, com uma posição quase perpendicular ao caule principal. É uma boa variedade e muito produtiva.
SUNKING F1 - flor com lígulas de cor amarelo dourado, com centro escuro. Ramifica desde a base. É muito uniforme.

No girassol para flor cortada, procura-se essencialmente flores com capítulo não demasiado grande, que não deveria ultrapassar 10 cm, na ocasião da colheita principalmente porque o seu uso é mais destinado a ramos mistos.

Fertilização - É uma espécie não muito exigente em nutrientes. Uma fertilização de fundo média pode ser, dependendo da análise de solo, um adubo composto (N.P.K. + Mg)-12-10-18+5, à razão de 100gr/m2.
Tem alguma exigência em potássio, que lhe dará resistência às hastes florais. Gosta, também de algum magnésio e um pouco de boro. Variedades como a Sunbright Supreme são algo exigentes neste elemento.

Pragas e doenças - As principais doenças que provocam danos no Hellianthus annuus são:

  • Míldio (Plasmopora helianthi)
  • Podridão branca (Sclerotinia scerotiorum)
  • Podridão cinzenta (Botrytis cinerea)
  • Phomose (Phomopsis helianthi)
  • Alternariose (Alternaria helianthi)

As pragas a que devemos estar atentos, nesta cultura, são:

  • Afídeos (Brachycaudus helichrysi) - a sua picada provoca um crispado característico nas folhas. O ataque de afídeos favorece o aparecimento de botrytis.
  • Caracóis e lesmas
Colheita, pós colheita e comercialização

Da sementeira directa ao início da colheita ocorrem cerca de 60-65 dias. Da transplantação ao início da colheita serão cerca de 45-50 dias.
A colheita do Hellianthus deve ser feita de manhã ou à noite (quando está mais fresco), sem as plantas estarem húmidas, pois isso aumentaria o risco de infecções com Botrytis.
As hastes florais devem ser colhidas com as flores mais ou menos abertas, consoante são para vender no próprio dia ou no dia seguinte - para o próprio dia, devem estar quase completamente abertas ; para serem comercializadas posteriormente, devem ser 50% de abertura.
As hastes florais são cortadas com o maior comprimento possível, com tesouras ou navalhas desinfectadas.
Devem-se retirar as folhas da metade inferior da haste e alguma folhagem danificada.
As flores devem ser colocadas em recipientes desinfectados que contenham água limpa e conservante (ex: CRYSAL CVB).
As hastes florais são agrupadas em molhos de 5 unidades, seleccionadas de acordo com a altura da haste e do diâmetro do(s) capítulo(s).
Os molhos devem ser mantidos em ambiente fresco e seco, até serem comercializados.
O Hellianthus tem grande duração pós colheita.

Criado em: 2004-04-27 / Actualizado em: