documentação

boletus edulis

O Boletus edulis, conhecido por "Cepe de Bordus" atinge com facilidade os 25 cm de altura com um chapu hemisfrico espesso e largo de cor castanha assente sob um p grosso de cor branca com estrias acastanhadas apenas junto ao chapu. Aparece sob o coberto dos soutos muito associado sua folhagem em decomposio e nos terrenos de giestas a Norte do distrito de Viseu.

Macrolepiota procera ou Lepiota procera, conhecido pelo vulgo por "agasalho" e "tortulho" o maior dos cogumelos comestveis. Apresenta um p alto cilndrico e prximo do chapu apresenta um anel bem destacado. O chapu largo com cerca de 30 cm de dimetro, enquanto o p atinge com frequncia os 40 cm. Todo ele de uma cor castanha suave, apresentando o chapu umas protuberncias de uma cor ligeiramente mais escura. Aparece a partir dos fins do Vero prolongando-se at ao Outono desde o Alentejo a Trs-os-Montes quer junto giestas e tojo quer no meio das vinhas e soutos.

Tal como os "Tricholomas" referidos anteriormente a Macrolepiota procera apenas se destina ao consumo interno.

Data dos anos 70 o interesse pelos cogumelos silvestres. Remonta a esta dcada a visita aos soutos da Lapa, Sernancelhe e Penedono e no s, de algum que encontrou associado aos castanheiros os cogumelos Boletus edulis, revelando as suas qualidades spidas e o seu valor nutritivo.

Da que tenha surgido por essa altura o Senhor Joaquim Flora Sobral, com residncia em Sernancelhe, que alm de percorrer o pas de ls a ls deu a conhecer os cogumelos de interesse culinrio.

Edificou um Centro de Recolha e Tratamento de Cogumelos e procedeu durante dcada e meia expedio de:

  • Boletus edulis – para Frana e Sua os de qualidade superior, para Itlia os de 2. escolha, ou seja, os de grande porte;
  • Hydnum repandum – para Frana , Sua e Inglaterra;
  • Cantharellus cibarius – para a Frana e Sua;
  • Cantharellus cornucopioides – para a Sua.

O Japo e os Estados Unidos da Amrica do Norte so potenciais compradores dos nossos cogumelos silvestres, a preos significativos, porm devido reduzida produo esses mercados no tm sido contemplados como era dos seus desejos.

Aps a poca do Senhor Flora, surgem a ocupar o seu espao:

  • Jos Maria de Almeida Paiva, com sede na zona industrial do Sto;
  • Jos de Campos Lopes Sequeira – Cortiada – Aguiar da Beira;
  • Frutisilves – Me – Mioma – Sto;
  • Gilberto Gonalves Lopes – Cavernes – Viseu;
  • Emlia ..... – Cavernes – Viseu;
  • Outra (no nos sendo facultada a identificao) – Cavernes – Viseu

Actualmente so, como referimos, seis os operadores que recebem os cogumelos em diversas localidades de ajuntadores a fim de serem transportados para locais onde so limpos, fritos ou congelados e a seu tempo colocados no circuito comercial, normalmente em embalagens prprias.

Por ordem de grandeza, em volume, temos:

  • Hydnum repandum – 60%
  • Cantharellus cibarius – 20%
  • Boletus edulis – 20%

Por outro lado os valores de transaco nos mercados Europeus, por unidade de peso, esto escalonados do seguinte modo:

  • Cantharellus cibarium
  • Boletus edulis
  • Hydnum repandum

Os dados recolhidos permitem-nos apontar para um volume de negcio na ordem dos 600.000.000$00, colocando-se em lugar cimeiro a Frutisilves, seguida de Sequeira, Jos Maria de Almeida Paiva e em p de igualdade os trs que operam em Cavernes.

Apenas a Frutisilves tem instalaes modernas e que renem os quesitos indispensveis para a preparao, acondicionamente e conservao dos cogumelos, dispondo de tnel de congelao e de salas de limpeza e preparo, como tambm sala de fritura com equipamento adequado.

O Sr. Jos de Campos Lopes Sequeira dispe de 2 cmaras de conservao, uma bem dimensionada com 8x5,40x2,80 m, onde alm de cogumelos guarda queijo, presunto e enchidos, enquanto a outra de dimenses mais reduzidas tem 4x3x2,70 m.

A terceira cmara (congelao) com temperaturas de -22 C, tem as dimenses iguais anterior.

Julgamos no se encontrarem reunidas as condies necessrias e suficientes para efectuar a congelao do material que manuseia, pelo que deve merecer uma visita atempada, de quem de direito, s condies de funcionamento.

Os operadores de Cavernes e no s devem merecer uma especial ateno, isto , proceder a um controlo de qualidade de quando em vez uma vez que repetidamente fecham as portas a quem pretenda executar a misso que lhe confiada.

Sendo uma actividade no homologada que gera receitas considerveis e poder pr em perigo a sade pblica pensamos que devem ser tomadas medidas tendentes a melhorar as condies de manuseamento dos produtos em questo.

Entendemos tambm que o modo de proceder na busca dos cogumelos deve assentar numa escolha acertada dos utenslios de movimentos de folhas e musgos, inibindo as pessoas do uso de ancinhos e enxadas. Tambm a repetio continuada de visitas aos mesmos locais de colheita devia ser evitada, uma vez que a frequncia de deslocao da folhagem destri os miclios em desenvolvimento, afectando por isso a produo actual e futura. Tambm de referir que a colheita de cogumelos s devia ser levada a cabo quando os mesmos atingissem quase o seu completo desenvolvimento, deixando assim escapar para o solo os esporos, rgos de reproduo de cogumelos.

verdade que eles vivem simbiose com as plantas vivas, a umas cedendo minerais e a outras transformando a folhagem em hmus que serve de nutrio a ambas as partes.

Apontam alguns mestres nesta matria que os cogumelos, atravs dos seus filamentos miclios formam uma teia que bloqueiam os fungos Phytophthora cinnamoni e "Cambfora", em fins de Vero, evitando que estes fungos ataquem os castanheiros, as nogueiras, os carvalhos, os sobreiros, as faias, as pseudotsugas e ainda plantas espontneas, provocando-lhes a doena da tinta com excudaes viscosas e abundantes.

Coimbra, 13 de Dezembro de 1999

 

O Tcnico
Manuel da Cruz Martins
Engenheiro Tcnico Agrrio

Criado em: 2000-04-20 / Actualizado em: